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Em Carta Pública aprovada por ocasião da Assembléia de Povos Credores do Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID), em Medellín, e endereçada à diretoria do banco, organizações e movimentos
sociais se manifestam contrários à aprovação de um pacote de financiamento no total de US$ 197
milhões em empréstimos diretos do BID para a empresa MPX, para a construção de duas termoelétricas a
carvão mineral (UTE Pecém I e UTE Porto de Itaqui), respectivamente no Ceará e no Maranhão. A Carta foi
formulada tendo como contexto o anúncio do BID, ainda em 2007, de iniciativas no sentido da construção
de uma política de combate às mudanças climáticas. Talvez motivado pelos impactos sociais e ambientais
que seus projetos de energia e de infra-estrutura têm causado ao longo dos seus 50 anos de operação.
É com base nessa contradição que os signatários da Carta afirmam seu espanto, da ação do BID em
aprovar “um financiamento público desta monta para a geração de energia a carvão mineral em um
estado brasileiro desprovido de tais reservas minerais, e reconhecidamente de enorme potencial para a
geração de energia por fontes renováveis como a energia eólica - embora as condições para sua produção
devam ser criteriosamente definidas, para evitar impactos às comunidades onde se instalam”. Segundo as
organizações, somente o projeto da termelétrica do Pecém, de 700 MW, pretende queimar 2.281.250
toneladas de carvão mineral por ano e gerar emissões de gases de efeito estufa capazes de anular
esforços de reduções de emissões, como o de todo o PROINFA (2,5 milhões de toneladas equivalentes de
CO2 por ano evitadas pela geração de 3.300 MW de energia por fontes renováveis de geração de
eletricidade como eólica, biomassa e Pequenas Centrais Hidrelétricas - PCHs), “reconhecidamente o maior
programa governamental na América do Sul de incentivo às fontes alternativas de energia”.
